UMA REFLEXÃO SOBRE A
TRAGÉDIA QUE ASSOLA A CIDADE DO SALVADOR: O PAPEL DO PODER PÚBLICO E O
ENFRENTAMENTO A SER FEITO PELO POVO.
Antonio
Cláudio dos Santos Silva*
As fortes chuvas,
deslizamentos de terra e falta de uma política responsável por parte do poder
público vitimiza varias famílias moradoras de encostas da cidade do Salvador,
mostram a realidade entre as duas cidades [os investimentos feitos pela
prefeitura no bairro da Barra para melhorias... e o valor para o mesmo
propósito destinado ao subúrbio ferroviário] dentro de uma mesma região
geográfica, o que resulta na manutenção da discriminação das massas pobres,
relegados de políticas, falta de investimentos dentre outras praticas nefastas
perpetradas por aqueles que foram eleitos pelo povo desta mesma cidade.
As famílias desabrigadas e
as mortes ocasionadas pelas chuvas que caem na cidade de Salvador desde o
inicio de abril foram suficientes para mostrar onde realmente devem ser feitos
investimentos na melhoria das condições de vida do povo desta cidade. Segundo a
Prefeitura Municipal de Salvador, logo após a assunção do prefeito atual, o
mesmo solicitou levantamento das áreas de risco, apresentou esses dados na
imprensa como algo de extraordinário, com se nunca antes na historia deste país
fossem feito coisa semelhante. A pergunta a ser feita é a seguinte:
a) o que foram feitos com
esses dados resultados do levantamento?
b) Que tipo de
investimentos fora feitos para se antepor aos acontecimentos alcançados pelas
fortes chuvas que caem sobre a cidade?
c) O que está sendo feito
para que novos desabamentos não ocorram e vitímizem pessoas? 0
Diante destes
questionamentos poderemos talvez afirmar que esta seria uma tragédia anunciada?
Onde estiveram à prefeitura, na pessoa do prefeito, e os vereadores que nas
eleições costumam “visitar” as comunidades, a exemplo daquela do “barro branco”...,
bem como outras comunidades desta cidade. A simples desculpa de que não há
recursos para investimentos desta monta, ou seja, para construção de encostas,
desapropriação de terras improdutivas na cidade para construção de casas [pois
o déficit Habitacional é uma realidade histórica]. O enquadramento por parte da
Prefeitura Municipal de Salvador, com a finalidade de cadastrar as residências e
acertar o pagamento do IPTU que seria destinado em melhorias para a cidade foi
pura “conversa fiada”? Onde foram investidos estes recursos?
Bom, de certo não encontraremos respostas
talvez de forma pacata. Pois seria cair no erro de entender estas ocorrências
como caso fortuito.
A participação popular se
faz, todavia a única forma de contraponto a política de exclusão e até podemos
identificar isso como uma limpeza étnica e racial, o papel da mídia é de
conveniência, pois tem mostrado o gestor municipal caminhando na lama que
maltrata os soteropolitanos, que encobrem os seus corpos envoltos com os
escombros dos barracos [casas desabadas], construídos a custo de suor e sangue
literalmente, alias foi como os negros escravizados de África construíram esse
Brasil, não obstante a Bahia quando aqui aportaram vitimados pelas condições do
trabalho servil e penoso.
Voltando ao debate a que
me proponho, onde estão as prefeituras bairros instituídas por esta
administração? A propósito, uma grande monta de insumos foram investidos nestas
estruturas espalhas por varias comunidades da cidade, pois onde o atual
prefeito foi bem votado arranjou jeito de estabelecer relações outras [cabides...].
A resolução dos problemas
que emergiram com a situação das chuvas é de extrema urgência, paralelo a isso
a construção de moradias digna para alocar estas pessoas que perderam alem de
suas casas, tiveram seus familiares soterradas, bem como parte de suas
historias de vida.
A construção das propostas
e discussão do Plano Diretor de
Desenvolvimento Urbano - PDDU
deve estar na ordem do dia e com participação mais do que nunca da população
desta cidade, a maior interessada no processo, sob pena de as grandes
construtoras arrebatarem todas as partes deste enorme “bolo”.
Por fim e não menos
importante e sem o interesse de esgotar o debate e a apresentação das propostas
de enfrentamento, considero neste momento que urge uma manifestação popular da
sociedade brasileira [classe trabalhadora], pois alem do investimento por parte
do [s] governo [s] em retirar direitos conquistados com suor, lagrima e sangue
da classe trabalhadora, não obstante retiram o nosso direito mais essencial que
é o direito a vida e da dignidade enquanto cidadãos constituídos de direitos e
deveres.
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*Graduando no curso de Pedagogia da Universidade
Federal da Bahia, VIII semestre; Dirigente Sindical e Líder Comunitário