sábado, 10 de outubro de 2015


O TRATAMENTO DISPENSADO AOS MARGINALIZADOS COMO FORMA DE DISSEMINAR O ÓDIO

As palavras proferidas esta semana pelo então Srº. Deputado Federal Bolsonaro dizendo que 'marginal só respeita o que teme', ao defender que PM 'mate mais'. Chegam a beirar o absurdo, diante do crescimento avassalador da violência, de uma Policia Militar despreparada, desorganizada e que não consegue dialogar com a sociedade em geral e que até mesmo a percebe como principal inimiga, seja pela condição econômica, seja pela condição social. A partir da análise dos mais diversos conflitos do mundo contemporâneo, deparamo-nos com declarações como estas, que em nada ajudam a resolver o problema.
Discurso que na prática representam as apostas que se faz na ignorância do povo que aplaude e abraça tal manifestação. A pretensão aí seria galgar a Presidência da República, na falta de projetos contundentes que possam dar norte no sentido da melhoria da política educacional, econômica... dentre outros pontos. A disseminação do ódio tem sido a saída.
Se não abdicarmos de fazer uma verificação etimológica da palavra “marginal” (a palavra descreve aquele que trilha pelos arredores do que a sociedade constituída aceita como Legal). Passaria – mos, também a perceber a marginalidade somente na ótica da prática do crime. Não obstante os filhos dos negros, pobres e desvalidos deste país estarão todos à margem do que preceitua a Carta Magna. Ou em que condições estão aqueles que moram/residem nas favelas, nos Guetos, aqueles que estariam fora das escolas e quando não, o dinheiro da merenda foi desviado, roubado pelos políticos (colega de partido, talvez sim talvez não...) deste mesmo deputado que roga pela morte destes supostos marginais?
Ademais, em sua grande maioria estes mesmos policiais são advindos das comunidades de baixa renda onde falta saneamento básico, saídos das favelas para ocuparem postos de neo-capitães do mato, porque justamente sabem aonde nos escondemos à hora que o Estado se faz presente, ou seja, quando a repressão chega. Reconhecem, efetivamente a pobreza, a palidez da fome, da dureza do descaso e quando alcançam as ruas levando tudo isso como se a culpa do sistema fosse uma extensão do crescimento da população de baixa renda, pois a mãe da periferia, que mais uma vez deu à luz... (na visão do Estado representado pela PM) será o “avião” do tráfico de drogas mais um a entrar para as estatísticas, crescendo os números frios da morte.
São os mesmos marginais que após os programas do governo eleito pela Democracia, pela vontade do povo brasileiro, conseguiu de alguma forma abrir acesso aos bens de consumo, acesso às universidades, efetivou programas, como Mais Médicos dentre outros...  
O que se espera de uma pessoa que ocupa um dos cargos mais importantes deste país não é o desprezo pelas pessoas, pela vida (...) estejam elas em que condição for. O seu ódio particular (pelo nordestino, dos trabalhadores, pelos que lutaram contra a ditadura) não pode exacerbar ao ponto de espalhar seu ódio, envolvendo a vida das pessoas, de colocar em xeque a segurança de profissionais da área da segurança pública, que vem pagando com a própria vida o crescimento desmedido do capital, que como proposta provoca o acirramento entre estes e a sociedade brasileira.
Se for verdade que policia é para prender bandido, o presidente da Câmara dos deputados, por exemplo, seria outro ator na representação da política nacional e dos brasileiros.
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*Antonio Claudio dos santos Silva é Graduando no curso de Pedagogia na Universidade Federal da Bahia e dirigente sindical CUTista.