O TRATAMENTO
DISPENSADO AOS MARGINALIZADOS COMO FORMA DE DISSEMINAR O ÓDIO
As palavras proferidas
esta semana pelo então Srº. Deputado Federal Bolsonaro dizendo que 'marginal só respeita o que teme',
ao defender que PM 'mate mais'. Chegam a beirar o absurdo,
diante do crescimento avassalador da violência, de uma Policia Militar
despreparada, desorganizada e que não consegue dialogar com a sociedade em
geral e que até mesmo a percebe como principal inimiga, seja pela condição
econômica, seja pela condição social. A partir da análise dos mais diversos
conflitos do mundo contemporâneo, deparamo-nos com declarações como estas, que
em nada ajudam a resolver o problema.
Discurso que na prática
representam as apostas que se faz na ignorância do povo que aplaude e abraça
tal manifestação. A pretensão aí seria galgar a Presidência da República, na
falta de projetos contundentes que possam dar norte no sentido da melhoria da
política educacional, econômica... dentre outros pontos. A disseminação do ódio
tem sido a saída.
Se não abdicarmos de
fazer uma verificação etimológica da palavra “marginal” (a palavra descreve aquele que trilha pelos arredores do que a sociedade
constituída aceita como Legal). Passaria – mos, também a perceber a
marginalidade somente na ótica da prática do crime. Não obstante os filhos dos
negros, pobres e desvalidos deste país estarão todos à margem do que preceitua
a Carta Magna. Ou em que condições estão aqueles que moram/residem nas
favelas, nos Guetos, aqueles que estariam fora das escolas e quando não, o
dinheiro da merenda foi desviado, roubado pelos políticos (colega de partido,
talvez sim talvez não...) deste mesmo deputado que roga pela morte destes
supostos marginais?
Ademais, em sua grande
maioria estes mesmos policiais são advindos das comunidades de baixa renda onde
falta saneamento básico, saídos das favelas para ocuparem postos de neo-capitães
do mato, porque justamente sabem aonde nos escondemos à hora que o Estado se
faz presente, ou seja, quando a repressão chega. Reconhecem, efetivamente a
pobreza, a palidez da fome, da dureza do descaso e quando alcançam as ruas levando
tudo isso como se a culpa do sistema fosse uma extensão do crescimento da
população de baixa renda, pois a mãe da periferia, que mais uma vez deu à
luz... (na visão do Estado representado pela PM) será o “avião” do tráfico de
drogas mais um a entrar para as estatísticas, crescendo os números frios da
morte.
São os mesmos marginais
que após os programas do governo eleito pela Democracia, pela vontade do povo
brasileiro, conseguiu de alguma forma abrir acesso aos bens de consumo, acesso
às universidades, efetivou programas, como Mais Médicos dentre
outros...
O que se espera de uma
pessoa que ocupa um dos cargos mais importantes deste país não é o desprezo
pelas pessoas, pela vida (...) estejam elas em que condição for. O seu ódio
particular (pelo nordestino, dos trabalhadores, pelos que lutaram contra a
ditadura) não pode exacerbar ao ponto de espalhar seu ódio, envolvendo a vida
das pessoas, de colocar em xeque a segurança de profissionais da área da
segurança pública, que vem pagando com a própria vida o crescimento desmedido
do capital, que como proposta provoca o acirramento entre estes e a sociedade
brasileira.
Se for verdade que
policia é para prender bandido, o presidente da Câmara dos deputados, por exemplo, seria outro ator na representação da política nacional e dos
brasileiros.
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*Antonio Claudio dos santos Silva é Graduando
no curso de Pedagogia na Universidade Federal da Bahia e dirigente sindical
CUTista.